Sobre os autores
Uma trajetória construída em conjunto
Somos Dayana Andrade e Felipe Pasini. A nossa trajetória começou no Brasil, no encontro entre comunicação, investigação e prática agrícola. Somos jornalistas de formação e investigadores em Ciências Ambientais. Dayana é mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista e doutora em Ciências Ambientais e Conservação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Felipe obteve o título de mestrado no mesmo programa.
Dayana Andrade
Felipe Pasini
O nosso percurso
2007
Encontro com Ernst Götsch
Início da aprendizagem com o criador da agricultura sintrópica.
ver mais →2007–11
Projetos no Brasil
Anos de prática a testar princípios e métodos em diferentes contextos e condições.
2011
Agenda Götsch
Artigos, entrevistas, vídeos e materiais educativos gratuitos sobre agricultura sintrópica.
ver mais →2015
Life in Syntropy
Filme apresentado na COP21, em Paris, traduzido para diversos idiomas.
ver mais →2016–18
Escola no Rio de Janeiro
Escola e centro de experimentação em agricultura sintrópica, com cerca de mil alunos.
2016–24
Consultoria para a TV
Velho Chico, Pantanal e Renascer; indicação ao Emmy Internacional e prémio PRODU.
2018
Mértola, Portugal
Sintropia no Mediterrâneo e cofundação da Associação Terra Sintrópica.
ver mais →2018–hoje
Hortas-Florestas nas Escolas
Hortas sintrópicas nas escolas públicas de Mértola.
ver mais →2020
Artigo científico
Syntropy and Innovation in Agriculture, na Current Opinion in Environmental Sustainability.
ver mais →2021
Artigo na Revista PEB (UFRJ)
A experiência das hortas sintrópicas na escola, publicada na Revista Perspectivas em Educação Básica.
ver mais →2021
Manual técnico da FAO
Capítulo sobre agricultura sintrópica em Recarbonizing Global Soils.
ver mais →2021
Simpósio Global da FAO
Felipe entre os oradores principais do Simpósio Global sobre Biodiversidade do Solo.
ver mais →2021
Livro Vida em Sintropia
Publicado no Brasil e em Portugal, com edições na Itália e na França.
ver mais →2021–25
Salento, Itália
Nove hectares de sintropia em paisagem devastada pela morte de milhões de oliveiras.
ver mais →Em curso
Fattoria La Vialla · FiBL
Investigação Biodynamics meets syntropic agriculture em olivais e vinhas na Toscana.
ver mais →Em curso
Escrita e investigação
Substack Life in Syntropy e participação no Biotic Pump Greening Group.
ver mais →Hoje
Portugal central
Agricultura sintrópica, formação e regeneração com a Casa e a Fundação Mendes Gonçalves.
ver mais →Desde 2007, acompanhamos, trabalhamos e aprendemos com Ernst Götsch, criador da agricultura sintrópica. Ao longo destes anos, participámos em projetos no Brasil e na Europa que nos proporcionaram a oportunidade de testar os princípios e métodos desta agricultura em diferentes contextos e condições. Interessam-nos tanto as técnicas como as formas de pensar que orientam cada intervenção. Este convívio transformou a nossa maneira de observar uma paisagem, formular perguntas e compreender o papel de quem cultiva.
Em 2011, criámos, com Ernst, o projeto Agenda Götsch. Durante os anos seguintes, produzimos e publicámos gratuitamente artigos, entrevistas, vídeos e materiais educativos para tornar a agricultura sintrópica mais compreensível e acessível. Em 2015, realizámos o filme Life in Syntropy, produzido para ser apresentado durante a COP21, em Paris. O alcance do filme, traduzido para diferentes idiomas e utilizado em escolas, universidades e formações agrícolas, ajudou a levar o trabalho de Ernst Götsch a um público muito mais amplo.
A comunicação sempre esteve ligada à experiência direta no campo. Entre 2016 e 2018, coordenámos, no estado do Rio de Janeiro, uma escola e um centro de experimentação em agricultura sintrópica, onde cerca de mil pessoas participaram em cursos e atividades práticas. Ao mesmo tempo, continuámos a acompanhar projetos, agricultores e áreas experimentais no Brasil e no estrangeiro.
Este percurso também nos levou a colaborar com produções audiovisuais de grande alcance. Trabalhámos como consultores ambientais junto às equipas de criação das telenovelas Velho Chico, o remake de Pantanal e de Renascer, todas exibidas no horário nobre da televisão brasileira. A nossa contribuição esteve ligada à construção das questões ambientais e agrícolas presentes nas histórias, incluindo o manejo ecológico do solo, a convivência com o semiárido, a produção de cacau e as relações entre agricultura, paisagem e sociedade. A indicação ao International Emmy Award e a premiação internacional PRODU marcaram o reconhecimento da dimensão e do alcance destes trabalhos.
Em 2018, mudámo-nos para Mértola, no sudeste de Portugal, uma região marcada pela aridez, pela degradação dos solos e pelo risco crescente de desertificação. Ali, trabalhámos com agricultores, escolas públicas e redes locais, adaptando os princípios da agricultura sintrópica às condições mediterrânicas. Ajudámos também a fundar a Associação Terra Sintrópica, que continua a desenvolver projetos de regeneração ecológica, educação e reforço dos sistemas alimentares locais, entre eles as Hortas-Floresta nas escolas públicas de Mértola. Publicámos um artigo sobre esta experiência na revista Perspectivas em Educação Básica, da UFRJ.
Entre 2021 e 2025, vivemos no Salento, no sul da Itália. Numa área de 9 hectares desenhámos e acompanhámos sistemas de agricultura sintrópica numa paisagem profundamente afetada pela “Síndrome do Dessecamento Rápido”, que causou a morte de milhões de oliveiras. O trabalho procurou demonstrar como antigos olivais poderiam integrar novas espécies, recuperar funções ecológicas e tornar-se sistemas produtivos mais diversos e resilientes. Esta experiência foi posteriormente apresentada pelo Top 50 Farmers entre os destaques da agricultura regenerativa no continente europeu.
Ainda na Itália, iniciámos uma colaboração com a Fattoria La Vialla, na Toscana, que mantemos até hoje. Esta colaboração integra atualmente o projeto de investigação Biodynamics meets syntropic agriculture, coordenado pelo Instituto Suíço de Investigação em Agricultura Biológica, FiBL. Em conjunto, acompanhamos sistemas experimentais em olivais e vinhas para investigar como as abordagens biodinâmica e sintrópica podem ser integradas no desenvolvimento de sistemas agrícolas regenerativos e mais resilientes às alterações climáticas. O projeto avalia os seus efeitos sobre a fertilidade do solo, o balanço hídrico, a biodiversidade, a estabilidade da produção e a viabilidade económica.
A nossa prática de campo sempre caminhou junto com a investigação e a escrita. Somos coautores do artigo científico Syntropy and Innovation in Agriculture, publicado na revista Current Opinion in Environmental Sustainability, e do capítulo sobre agricultura sintrópica do manual técnico da FAO Recarbonizing Global Soils, dedicado a práticas de manejo capazes de recuperar o carbono e a vida dos solos. Em 2021, Felipe foi um dos oradores principais do Simpósio Global sobre Biodiversidade do Solo, promovido pela FAO, onde apresentou experiências de restauração de ecossistemas a partir do solo.
Também somos autores do livro Vida em Sintropia, no qual reunimos parte do que aprendemos com Ernst Götsch e com os sistemas que acompanhámos ao longo dos anos. O livro foi publicado no Brasil e em Portugal e ganhou edições em Itália e França.
Mais recentemente, voltámos a escrever regularmente no Substack Life in Syntropy, onde publicamos, em inglês, reflexões, estudos de caso e relatos sobre agricultura sintrópica como prática, abordagem de desenho e forma de compreender a regeneração. Também fazemos parte do Biotic Pump Greening Group, uma iniciativa interdisciplinar que reúne investigadores e profissionais dedicados a compreender as relações entre florestas, circulação atmosférica, água, clima e restauração ecológica.
Atualmente vivemos na região central de Portugal e colaboramos com a Casa Mendes Gonçalves e a Fundação Mendes Gonçalves em projetos de agricultura sintrópica, investigação, formação e regeneração de paisagens produtivas.
Ao longo deste percurso, trabalhámos em diferentes escalas, desde hortas escolares e pequenos jardins até propriedades agrícolas, áreas experimentais e projetos de comunicação capazes de alcançar milhões de pessoas. Em todos estes contextos, o nosso trabalho parte do mesmo compromisso: aproximar conhecimento científico, experiência prática e capacidade de observação, criando condições para que mais pessoas compreendam os processos vivos dos quais a agricultura depende.
